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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não existe manha: Pediatras aposentam a tese de que colo deseduca os bebês

A importância do contato físico nos primeiros meses de vida hoje é fato comprovado por pediatras e psicólogos. Tocada com carinho desde o nascimento, a criança se desenvolve normalmente, ao contrário de bebês pouco acariciados, que se tornam apáticos. "Dar colo não estraga o bebê, como se acreditava antes. Ao contrário, deixa a criança segura e tranquila quanto ao afeto dos pais", diz a pediatra Jacy Pontremolez Varalta. Os médicos da velha-guarda aconselhavam os pais a deixar o recém-nascido chorando para acostumar-se a permanecer no berço. Para eles, o choro seria sinal de manha, uma demanda exagerada de atenção, e o bebê deveria aprender logo a inutilidade do choro como modo de obter colo. Hoje, é raro quem recomende esta conduta em tão tenra idade. "O contato é fundamental", diz o pediatra Sergio Ayres, chefe do berçário de alto risco do Hospital São Luís, em São Paulo. "Eles ficam tranquilos, ganham peso e se desenvolvem melhor." No seu trabalho com prematuros, Ayres receita carinho irrestrito. Ele é também defensor do projeto Canguru, idéia trazida da Europa e adotada em algumas maternidades brasileiras, em que se substitui a incubadeira pelo contato com a pele da mãe, que mantém o bebê atado ao corpo.

Cartaz da campanha promovida pela Rede CAAS.
Para a dermatologista Deborah San Gregorio, 36 anos, mãe de Stephanie, de nove meses, não há limite para dar colo: "Sempre que ela chora, eu pego, tento descobrir o que é. Por ser tão acarinhada, é uma criança alegre e tranquila." Solange Gallinaro, 33 anos, transformou num programa seu prazer em segurar a filha Gabriela, de dez meses. Ela dança com a menina em casa e no salão da academia Stella Aguiar, em São Paulo, que ministra um curso de dança para mães e bebês. "Enquanto a mãe se exercita e aprende novos passos, o bebê aproveita o momento numa troca de sensações muito positiva", diz Stella, a proprietária. Além da sessão de dança de 45 minutos, com direito a intervalos para eventuais trocas de fraldas e mamadas, há dez minutos finais dedicados à shantala (leia abaixo), uma arte tradicional de massagem infantil.

Massagem calmante
Há mais de 30 anos, o médico francês Frédérick Leboyer, criador do famoso parto em que o bebê é poupado de todo gesto brusco, foi a Calcutá e viu uma jovem massageando o filho. "Fiquei mudo", escreve ele no livro Shantala (Ed. Ground). "Parecia um balé, tal a harmonia e o ritmo, embora de extrema lentidão." A partir daí, a milenar massagem indiana se difundiu pelo mundo e passou de terapia alternativa a técnica reconhecida, ensinada a mães e aplicada em berçários de hospitais e em creches. Para a terapeuta e professora Hanelore Barreto, a shantala promove não só bem-estar físico e emocional como evita problemas de saúde. No berçário da Avon, o resultado é animador. Leonardo, de quatro meses, chegou irritado por causa das cólicas frequentes. "Com apenas três sessões da massagem, está risonho e tranquilo", diz a berçarista Rosa Alice Campos.


Fonte: Revista ISTOÉ
Edição 1549 - http://www.istoe.com.br

sábado, 7 de janeiro de 2012

Afinal, o que seria mesmo o “colo”?


Quando pensamos em dar colo a um bebê, logo imaginamos aquele colo gostoso que mesmo quando grandes gostamos de ter. Portanto, o colo de hoje, quando completo de carinho, afeto, amor e atenção, é tão bom quanto foi o mesmo quando éramos bebês.

Mas tem “colos” e “colos”, por exemplo: Alguém já vivenciou a experiência de pedir um colinho para alguém e a outra pessoa dizer mais tarde eu dou, ou então de deitar no colo da pessoa e ficar esperando um contato visual, um “cafuné”, um sorriso e na verdade perceber que só teve ali algo físico sem contato íntimo de troca?

Por isso que abro aqui espaço pra poder discutir outro tipo de colo, não só esse onde às vezes emprestamos nossos braços para o bebê, ou nossas pernas para alguém se deitar, quero ir mais além, penso aqui no colo que talvez estejamos esquecendo de falar, o colo psicológico. Realmente não ouvimos com muita freqüência essa expressão, mas esse colo existe, e é muito importante para nosso desenvolvimento inicial de vida e também por toda a nossa história.

Falar desse colo psicológico é ir além do segurar o bebê, ou então dar o peito, é sim aprofundar mais nessa relação, proporcionando um contato íntimo entre você e o bebê, com troca de olhares, carinhos, palavras amorosas, toque suave, sorrisos e respeito pelo momento do bebê e também da mãe.

Ampliamos ainda mais, o colo deve ter braços mais longos, com o pai que vai dar um colo também para essa mãe e para o bebê; ele é figura cada vez mais importante e necessária nessa relação, onde o clima dessa família vai proporcionar esse colo físico e psíquico com mais qualidade.

É necessária a existência de um espaço de potencialidades de desenvolvimento. Freqüentes conflitos conjugais, a irritabilidade e o desrespeito, quando evidentes e predominantes, não permitem que ocorra esse espaço potencial. Uma mãe com problemas ou uma família em “guerra” poderá ter dificuldade em oferecer esse colo. Segundo os pesquisadores Piccinini, Seidl de Moura, Ribas, Bosa, Oliveira, Pinto, Schermann & Chahon (2011), as interações se constituem em interjogos entre parceiros onde um influencia o outro em um processo contínuo de desenvolvimento, a partir de mecanismos de regulação recíproca. Dessa forma o vínculo deve ser estabelecido não apenas com o bebê, mas também entre o casal, sendo a família um espaço para oferecer o colo, mas também ter ali uma fonte de recebimento de todo essa afeto.

Não podemos esquecer, conforme relata Maldonado (2000), que a fase do puerpério faz parte do ciclo vital, onde se encontra um período propenso a crises, por causa das mudanças físicas e psicológicas. Para Winnicott (1978), a mãe entra em um estado especial denominado “preocupação materna primária”, em que ocorre um estado de sensibilidade aumentada, cujo objetivo é capacitar a mulher a se preocupar com seu bebê. É uma fase de mudanças e muitas vezes a mãe não é compreendida nesse aspecto mais amplo de mudanças e muitas vezes cobranças.

Contextualizei essa fase para pensar novamente no “colo”, no colo que o bebê precisa, mas também no colo que a mãe recebe, no pai que alonga esses braços para acolher também. Vamos pensar naquele momento em que o bebê está nos braços, e, sem perceber, o olhar da mãe está voltado para a TV ou fazendo outra coisa. O bebê vai esperar o olhar da mãe, o toque e a fala. Não podemos esquecer também do colo que a mãe espera depois de colocar o seu bebê para dormir, um "colinho" gostoso com palavras doces, olhar suave, compreensão e carinho. Assim, poderemos falar do “colo” em seu aspecto mais amplo, físico e emocional, o amor não vem apenas pela via física, mas de outras maneiras muitas vezes esquecidas.

Lucas Bondezan Alvares, psicólogo. 
Membro da Rede CAAS e do Grupo de Trabalho Humanizado da Santa Casa de Penápolis.